domingo, 6 de setembro de 2009

Para William, meu primo...


Debrucei, tempos atrás, sobre parte da árvore genealógica de uma das familias italianas mais numerosas no Brasil, a Ceccon, sobenome da minha avó materna, Venerina, a Vó Ina.A árvore está disponível na internet e foi feita com a ajuda da minha prima Maria da Glória Pellicano, que mora em Ouro Fino, Minas Gerais.
Somos descendentes de Gloriano Chieccon (o nome, no Brasil sofre várias alterações de grafia), que nasceu em 03 de março de 1808 (ano da chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro e da abertura dos portos brasileiros às nações amigas), em Begosso, Itália, e foi casado com Paola Mantovani.
Begosso e Nichesola são duas frações de uma pequena cidade italiana de apenas 2.498 (censo de 2008) habitantes, chamada Terrazo, provincia de Verona, da qual é distante apenas 55 quilômetros, região do Veneto. Terrazzo é de origem romana e o documento oficial, que cita a localidade pela primeira vez, é uma bula do Papa Eugênio III, de 1145.

Antigamente a cidade era menos importante que Begosso, que abrigava um movimentado porto e Nichesola. O nome deriva de “Turracium” que significa torre. A antiga torre construida no ano mil ainda existe. Além dela, merecem ser visitadas a igreja de Begosso, e a igrejinha,ainda mais antiga, de Nichesola.

Ao fundo da foto ao lado, pode-se ver um casario, mas não encontrei nenhuma foto que desse idéia melhor da cidadezinha no Google Imagens. Um dos filhos de Gloriano e Paola foi Giuseppe Ceccon, que nasceu em 01 de fevereiro de 1834, em Begosso, e se casou,aos 22 anos, com Carolina Bonon, em 23 de outubro de 1856, em Castagnaro.

O casal teve seis filhos: Letizia, Aureliano, Maria Anna, Mansueto (Eugenio), Anibal e Maria (Marieta), que nasceu em 1873. Marieta casou-se com Ferdinando Marciglio (Marcílio) bem jovem. São eles os pais da minha avó Venerina, que antes de se casar, assinava Marcílio.Segundo minha avó, Marieta e Ferdinando vieram ao Brasil para fazer a América que, naqueles tempos, significava ficar rico. Diziam que no Brasil se recolhia ouro com pás.

Também fugiam de uma tragédia. Os primeiros dois filhos que tiveram, meninos, morreram afogados acidentalmente, em um córrego perto da casa onde moravam. Parece-me que era um dia de festa e por algum tempo distraíram-se das crianças que já andavam. Quando as encontraram, era tarde demais. Além da dor da tragédia, temiam ser presos por negligência e minha bisavó estava novamente grávida.

Marietta e Ferdinando chegaram numa leva de imigrantes, no porto de Santos, com passagens pagas por fazendeiros de café das redondezas de Ouro Fino. Depois de cumprir a quarentena, seguiram para o Sul de Minas.Vó Ina conta que quando chegaram à fazenda, onde trabalhariam, receberam uma casinha para morar e dois sacos grandes, um de feijão e outro de farinha de mandioca. Como nunca tinham visto farinha de mandioca acharam que era queijo já ralado. Meu bisavô levou uma mão da farinha à boca e quando não reconheceu nenhum sabor cuspiu tudo junto com todas as imprecações possíveis. Também receberam rapaduras.

Antes de chegarem à Fazenda Angu Frio, de propriedade do Dr. Luiz Miranda, onde trabalhariam na produção de café e uvas, Ferdinando e Marieta fizeram uma parada de emergência em Santa Rita do Sapucaí, numa pousada à beira da estrada. As gêmeas, Rita e Ambrósia, ali nasceriam. A proprietária era uma senhora tão bondosa que colocou as galinhas do seu quintal à disposição para a necessária canja do resguardo de Marieta.

Minha avó também me contou que quando os pais dela chegaram em Angú Frio, localizada perto do trevo da atual entrada de Inconfidentes, andou em volta de todas as casas dos camaradas (trabalhadores e moradores da fazenda) e não encontrou sequer uma verdura ou um pé de tomate.

Imediatamente começou, com as sementes que havia trazido da Itália, uma horta que manteve por onde morou até o fim da vida. Havia trazido também mudas de folhagens, uma que lembrava pena de pavão, e mudas de parreiras que produziam uvas pequenas e muito escuras, próprias para vinho. Ferdinando era bem mais velho que Marieta e também trouxera para o Brasil a mãe viuva, chamada Carolina, o irmão João, já casado, e a irmã Maria, solteira.

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