terça-feira, 29 de setembro de 2009

Na penumbra...

Dona Julieta Burza: Energia, vitalidade, deslumbramento e êxtase diante do mais simples e belo da vida...
A casa da professora Julieta Burza é igualzinha meu tio Ângelo me descrevera. Um grande piano de cauda ocupa quase toda a sala de jantar. Nas paredes ao lado e à frente, armários guardam a história da família. Uma pequena estátua de Victorio Emanulle III, trazida pelo pai de Julieta quando veio da Itália, ainda está lá...
No espelho, a "fotógrafa"...

Na sala de visitas, o piano que foi de Dona Luíza, mãe de Julieta... No portarretrato, o irmão João Belline Burza, médico psiquiatra e neurocientista, amigo desde a juventude do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Julieta e Joãozinho (já falecido) foram padrinhos de casamento de Fernando Henrique e Dona Ruth. Julieta também participou, emocionada, da cerimônia de adeus de Dona Ruth.

Certa vez, quando o ex-presidente era Ministro da Fazenda de Itamar Franco, a querida Ana Tavares (assessora) organizou um jantar dele com jornalistas. O Plano Real já estava sendo costurado e queríamos saber se a tal da âncora garantidora da estabilidade seria só fiscal ou também cambial. Infelizmente, a sábia e poderosa Ana tirou o copo da mão de FH, na segunda dose.

Quando soube que eu era de Ouro Fino, FH falou longamente e com saudades do amigo Joãozinho Burza, que pertenceu ao Partido Comunista e foi um dos fundadores da Casa da Amizade Brasil/União Soviética, onde viveu exilado por doze anos. A entidade sobrevive aos novos tempos com o nome Casa da Amizade entre os Povos e ainda oferece cursos de russo e espanhol.
O piano de Dona Luíza, mãe de Julieta e Joãozinho, tem acoplado um castiçal para concertos à luz de velas... lembranças dos tempos de energia elétrica precária ou nenhuma. Dona Luiza, católica praticante, não se cansava de rezar o terço para que o filho largasse de mão o ateísmo. Acho que não conseguiu não. Joãozinho também era excelente músico, tocava violino.

Quando Joãozinho passava as férias em Ouro Fino, Dona Luíza escancarava portas e janelas da casa para que ele e Julieta, ao piano, tocassem para os passantes na rua e aos que se aglomeravam no jardim. As janelas eram então enfeitadas com toalhas bordadas ou de crochê e vasos de flores. Minha mãe contava que tudo era muito lindo e emocionante.

O velho espelho, à ânfora e bacia de porcelana, itens indispensáveis e de bom gosto nos tempos que lá se vão, hoje apenas objetos de decoração.

A pouca luz ambiente deu essa aparência trêmula e esmanhecida às fotos. rRsolvi publicá-las assim mesmo porque estão bastante apropriadas. Afinal, estamos aqui registrando o passado, não é mesmo?

Em um dos cantos da sala de visitas, o gaveteiro de partituras. Em cima, no estojo, o acordeom que Julieta levava para as aulas nas escolas públicas de Ouro Fino.

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2 comentários:

  1. V.tentou adivinhar a idade de D.Julietinha?
    Deve quase empatar com a de minha tia Guily.
    Sugestão para uma próxima visita e entrevista: D.Maria José de Souza, que tem 96 anos e ainda viaja com a turma da 3a.idade por todo o Brasil.
    Já a encontrei na rua e até na festa dos italianos bebendo vinho.
    Com a sua sensibilidade seria interessante entrevistar também a D.Leyde. A biblioteca do Dr.José Guimarães e o porão onde estão guardados os trabalhos que a D.Leyde nos dava quando foi professora de artes no Normal, merecem ser registrados. Aliás, toda a casa e até o quintal que faz parte de minhas lembranças quando ia fazer trabalhos com a Francisca, que foi minha colega.
    Já que estou na fase de sugestões de entrevistas: A Ligia Apocalipse mora na casa da D.Sula, que foi professora de canto orfeônico, e se não me falha a memória, a casa é a única feita de pau-a-pique que restou em Ouro Fino. D.Ursulina fez sempre questão de preservá-la.

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  2. Dona Julieta, minha professora de Ensino Religioso na Escola Normal, sem dúvida alguma é um ícone da história de Ouro Fino!
    Eu poderia aqui enumerar diversos momentos de sua vida que fazem dela e de nossa Ouro Fino ícones realmente, mas prefiro citar um momento tão especial para ela e, sem dúvida o que mais a alegra: Sua devoção por Nossa Senhora.
    Abaixo segue texto de sua própria autoria e que consta de sua biografia:

    As ruas enfeitadas como um chão de estrelas... As hortênsias azuis, as águas do Barco que veio a Imagem.
    Monsenhor Alderige Torriani com o Padre Vítor Coelho de Almeida; os dois com processo de beatificação em andamento e o Vigário Monsenhor José Roberto da Silva, convidaram Julieta para levar a Milagrosa Santa até o seu altar em Aparecida do Norte.
    De Ouro Fino até Aparecida, levou-a em seu colo. Após esse dia nunca mais a Verdadeira Imagem saiu de seu altar.

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